Posted by admin at 25 de novembro de 2016 20:39 Ortopedia Funcional, Todas as Categorias

Orthod. Sci. Pract. 2012; 5(20):491-497. Artigo original (Original article)

Uso do Sistema Trainer no centro de especialidades odontológicas (CEO) de Ortodontia da ASCES (Caruaru-PE).
The Trainer System therapy on dental specialties center (DSC) –
Orthodontics ASCES (Caruaru-PE).
Cleves Medeiros de Freitas1
Rafaella Rocha Freitas2
Juliana Rafaelle Couto Silva2
Resumo
A pesquisa realizada objetivou avaliar prontuários de crianças que apresentaram más oclusões de
Classe I, II e III associadas ou não à mordida aberta anterior, tratadas com aparelhos do Sistema
Trainer, atendidas no Centro de Especialidades Odontológicas (CEO tipo III – Ortodontia) da Faculdade
Asces em Caruaru-PE, com a finalidade de saber se os aparelhos usados corrigiram ou não os
problemas em questão. A avaliação foi realizada mediante conferência de prontuários e a apresentação
dos resultados foi feita por meio de tabelas e gráficos. Os softwares utilizados foram o Excel
2007 e o SPSS 15.0. Nas correções propostas com o Sistema Trainer, foi obtida resposta satisfatória
em 70% dos casos, resposta regular em 12,5% e insatisfatória em 17,5%. A partir dos prontuários
avaliados, conclui-se que os aparelhos do Sistema Trainer que foram analisados apresentaram um
elevado índice de respostas satisfatórias e corrigiram a maior parte das más oclusões em questão.
Descritores: Terapia miofuncional, Ortodontia, políticas públicas.
Abstract
The actual research had the objective to evaluate children charts that presented Class I, II, and III
malocclusion, associated or not to open bite, treated with Trainer System on Dental Center of Specialties
(DCE type III – Orthodontics) on ASCES faculty, Caruaru – PE, with the main goal to know
if the devices that were used treated or not the proposed cases. The evaluation was made through
charts review and the results presentation was made by graphics, the softwares that were used are
Excel 2007 and SPSS 15.0. On the proposed corrections with Trainer System the results made 70%
of satisfactory cases, 12,5% on regular and not satisfactory on 17,5%. With these results can be
concluded that the Trainer System devices evaluated presented high results of positive answer and
most of the malocclusions have been corrected.
Descriptors: Myofunctional therapy, Orthodontics, public policies.
1 Prof. Esp. Ms, doutorando e regente da disciplina de ortodontia e ortopedia funcional dos maxilares da Faculdade ASCES em Caruaru – PE.
2 Cirurgiã Dentista pela Faculdade ASCES em Caruaru – PE.
Correspondência com o autor: ortocleves@uol.com.br
Recebido para publicação: 24/06/2012
Aceito para publicação: 17/07/2012
Artigo original (Original article)
Orthod. Sci. Pract. 2012; 5(20):491-497.
Introdução
Para que os profissionais que atuam na Ortodontia e na Ortopedia possam identificar os problemas
mais comuns à sua área, é importante que os mesmos apresentem um conhecimento geral
da prevalência das más oclusões2 .
Estudos transversais foram realizados com o objetivo de verificar a prevalência de más oclusões
(mordida aberta anterior, protrusão dentária) e sua associação com idade, gênero e tipo de escola
em 2.651 pré-escolares da cidade do Recife, PE, Brasil. Concluiu-se que a prevalência das más
oclusões em pré-escolares da cidade do Recife foi elevada, havendo associação com a idade e o tipo
de escola. Os agravos e a desigualdade na distribuição das oclusopatias nessa população podem
ser minimizados por meio da integralidade, contemplando prevenção, promoção e tratamento de
saúde bucal5.
Alguns setores do serviço odontológico no Brasil vêm utilizando dispositivos de aplicabilidade
fácil e que favorecem o custo/benefício11. Esses dispositivos são denominados Sistema Trainer, os quais foram introduzidos no Brasil em 200112. Possuem a função de atuar na musculatura do sistema craniomandibular, permitindo a estimulação do crescimento e do desenvolvimento, devolvendo, em muitos casos, o estado de normalidade.
Todos os aparelhos utilizados têm sua indicação própria e corrigem os vários problemas de más
oclusões16, porém a escolha de tratamento com esses dispositivos não extingue a possibilidade
do uso de outros aparelhos ortodônticos posteriormente18.
A pesquisa realizada objetivou avaliar prontuários de crianças que apresentaram más oclusões
de Classe I, II e III, associadas ou não à mordida aberta anterior, atendidas no Centro de Especialidades
Odontológicas (CEO tipo III – Ortodontia) da Faculdade Asces, em Caruaru-PE. Os pacientes
foram tratados com aparelhos do Sistema Trainer com a finalidade de saber se os aparelhos usados
corrigiram ou não os problemas em questão.
Revisão de literatura
A Ortopedia Funcional dos maxilares é uma área odontológica que estuda os tratamentos
para má oclusão. Esses tratamentos podem ser realizados por meio de estímulos ou com inibição
da atividade dos músculos faciais, estimulando a modelagem e a remodelagem da maxila e da
mandíbula, o que permite, dessa forma, um melhor alinhamento dos dentes16. Cada vez mais, as
más oclusões ganham visibilidade e se credenciam como problema de saúde pública11,12.
Sob a referência dos princípios constitucionais de integralidade, equidade e considerando o fato
de existir uma grande prevalência de má oclusão e uma grande transformação epidemiológica por
que passa a saúde bucal – com um forte declínio das cáries – tornou-se necessário viabilizar e
incorporar procedimentos ortodônticos pelo setor público de saúde. Entretanto, para a implementação
dessas políticas, é necessário observar em que condições e para quem o tratamento ortodôntico
deve ser oferecido no sistema público de saúde, dadas as limitações financeiras e de recursos humanos9.
O tratamento ortodôntico oferecido pelo SUS é uma prática que tornou-se mais acessível após a
criação dos Centros de Especialidades Odontológicas, conhecidos como CEO, em 2004. A partir
desses centros, a Ortodontia ganhou força para incluir uma gama de procedimentos de intervenções
corretivas e preventivas das deformidades bucofaciais. No Brasil, existem 42 serviços públicos
de Ortodontia presentes em 39 municípios, porém a viabilização para abranger a maior parte possível
da população necessitada ainda requer um caminho no qual o procedimento oferecido tenha
maior resolutividade, eficácia e menor custo para o SUS8.
No Brasil, dispositivos de aplicabilidade fácil e que favorecem o custo benefício vêm sendo usados
para solucionar alguns distúrbios da oclusão11. Segundo Quadrelli et al.14 (2002), esses dispositivos
compõem um sistema que foi incrementado no Brasil no ano de 2001, podendo ser definido
como um grupo de aparelhos ortodônticos funcionais que permite a realização de um tratamento
pré-ortodôntico em crianças durante a fase de dentição decídua, mista e em crescimento18.
O Sistema Trainer é composto por uma gama de aparelhos que podem ser usados conforme a
idade e o tipo de deformação facial que o paciente apresenta. Alguns dos aparelhos que compõem
esse sistema são T4i, T4K, T4A, T4B, T4CII e Myobrace16.
Eles apresentam tamanho universal e são confeccionados com silicone ou poliuretano não
termoplástico18. Segundo o fabricante, esses aparelhos estão indicados para apinhamento anterior,
Classe ll divisões 1 e 2, mordida aberta anterior, mordida profunda, Classe III incipiente e correção
de hábitos orais. É contraindicado para pacientes pouco colaboradores, que não apresentam inte-
resse e motivação para a utilização do aparelho, e aqueles que apresentam mordidas cruzadas posteriores
e Classe III severa3. A realização de um tratamento pré-ortodôntico na fase de dentição mista e durante o
crescimento da criança possibilita redirecionar o crescimento e interferir precocemente nas más
oclusões.

Em seu trabalho, Silva et al.18 (2005) relatam que o tratamento pré-ortodôntico ajuda na
correção dos hábitos miofuncionais, os quais prejudicam os padrões de crescimento craniofaciais
normais e são os causadores da má oclusão. De forma geral, todos os aparelhos do Sistema Trainer
exercitam a musculatura da estrutura craniomandibular para, fisiologicamente, sustentarem
os ossos estimulando seu crescimento. Por meio do desenvolvimento da maxila, da mandíbula e
dos arcos dentais, o aparelho reeduca a postura da língua e os dentes tendem a se posicionarem
melhor e, consequentemente, se alinharem16. Mas é importante ressaltar que a utilização desse tratamento
pré-ortodôntico não elimina totalmente a necessidade do uso de aparatologia ortodôntica
posteriormente18. Jacob et al.7 (2010), em um estudo experimental, afirmaram que a possibilidade de modificar a forma do esqueleto facial com tratamento ortodôntico e ortopédico tem fascinado clínicos,
pesquisadores e a população em geral. Certos casos de má oclusão mostram desvios morfológicos
restritos aos dentes e ao osso alveolar, enquanto outros envolvem desarmonias de bases ósseas
com características marcantes que se distribuem de forma variável nas dimensões anteroposterior.
O estudo clínico realizado por Ramirez-Yañez; Jacira15 (2007), o qual utilizou-se uma terapia
combinada para tratamento de mordida aberta anterior e posterior com os aparelhos miofuncionais,
obteve um resultado satisfatório. Na primeira fase, foi realizado um tratamento com o aparelho
T4K, corrigindo assim, a mordida aberta anterior e sendo usado posteriormente a aparelhagem fixa
para reintegração da oclusão. Já Quadrelli et al.14 (2002) apresentam resultado positivo na correção
de pacientes com Classe II esqueléticas, graças à ativação mandibular que os aparelhos do Sistema
Trainer (utilizados) proporcionaram por meio do distanciamento dos lábios e da correção do mau
posicionamento da língua e do lábio inferior durante a deglutição. É importante ressaltar que
ambas as pesquisas citadas foram realizadas em crianças com idade entre três e dez anos e ainda
apresentavam dentição mista e decídua.
Ramirez-Yañez et al.17 (2007) realizou uma pesquisa com 60 crianças portadoras de má
oclusão de Classe II para determinar dimensões transversais e altura anterior dos arcos dentários
superiores e inferiores, antes e depois do tratamento com o aparelho T4K, concluindo que este
aparelho é uma opção de tratamento válido em crianças com idade precoce e quando a expansão
transversal é parte do objetivo do tratamento.
Materiais e métodos
Previamente à realização deste estudo, o projeto foi submetido a análise do Comitê de Ética em
Pesquisa da Faculdade ASCES – 053/11, seguindo a resolução 196/96 do Ministério da Saúde e foi
aprovado.
A partir de então, foi realizado um estudo transversal documental onde foram examinados
200 prontuários de pacientes entre três e dez anos de idade, atendidos no Centro de Especialidades
Odontológicas (CEO tipo III – Ortodontia) da Faculdade Asces, em Caruaru, nos últimos
cinco anos. Desse total, foram selecionados os prontuários de crianças que apresentaram má
oclusão do tipo Classe I, II ou III de Angle, associada ou não à mordida aberta anterior e que foram
submetidas a tratamento com os aparelhos do Sistema Trainer T4i, T4k, i3 e myobrace. Os
prontuários continham uma ficha clínica completa com dados pessoais do paciente e história do
tratamento ortodôntico, com radiografia panorâmica, fotografias extrabucal e intrabucal, assim
como autorização dos responsáveis para realização de pesquisas. Foram excluídos os prontuários
das crianças que não utilizaram o tratamento com os dispositivos do Sistema Trainer, prontuários
que não fizeram uso dos aparelhos do Sistema Trainer por pelo menos um período de 90
dias, bem como aqueles que estiveram fora da faixa etária em estudo que foi de três a dez anos,
e também crianças que apresentaram outros tipos de má oclusão, especialmente as esqueléticas
graves. Os casos de desistência foram considerados perda de amostra.
Os dados foram colhidos dos prontuários em arquivo no CEO de Ortodontia (Faculdade ASCES)
e anotados em uma ficha, na qual continha a idade do paciente, o sexo, o tipo de dentição, o
tipo de má oclusão, a alteração transversal, o tipo de aparatologia usada e o resultado, podendo se
enquadrar como satisfatório (correção de um ou mais problema), regular (correção parcial de um

 

grafico-01

 

Gráfico 1 – Distribuição das crianças por idade.

 

 

figura-03
Figura 2 – Aparelho Myobrace

 

ou mais problemas), insatisfatório (nenhuma correção do problema). Foi realizada uma análise descritiva
para expor os resultados obtidos e a apresentação desses resultados foi feita por meio de
tabelas e gráficos. Os softwares utilizados foram o Excel 2007 e o SPSS 15.0.
A presente pesquisa ofereceu pouco risco aos participantes por tratar-se de uma verificação de
dados de prontuários em arquivo. Houve uma preocupação de evitar, ao máximo, a exposição e a
identificação dos pacientes envolvidos.
Resultados
Dos 200 prontuários analisados, obteve-se um percentual de 20% de pacientes usando aparelhos
do Sistema Trainer, ou seja, 40 crianças. Desse número, 18 (45%) crianças são do sexo masculino
e 22 (55%) do sexo feminino. É possível observar a distribuição das crianças segundo a dentição,
95% têm dentição mista e apenas 5% dentição decídua, o que é bem justificado pela idade das
crianças. No Gráfico 1, pode-se notar que 5% dos pacientes analisados apresentaram idade de cinco
anos, 10% de sete anos, 22,5% de oito anos, 20% de nove anos e 43,5% de dez anos.
Em relação à distribuição, de acordo com as más oclusões observadas, pode-se constatar,
como demonstrado no Gráfico 2, que foram 45% Classe I, 42,5% Classe II e 12,5% Classe III. Porém,
apenas 57,5% das crianças estudadas apresentaram associação com mordida aberta anterior, 32,5% com mordidas cruzadas e 10% apresentaram associação a outros problemas.
Dos 40 pacientes avaliados, foram usados 50 aparelhos do Sistema Trainer, pois 10 pacientes
(25%) usaram mais de um tipo de aparelho desse sistema. Conforme visto no Gráfico 3, 44% desses
pacientes foram tratados com o T4K – primeira fase (Figura 1), 26% com myobrace (Figura 2),
20% com o Hard2 – segunda fase (Figura 3), 8% com o i3 (Figura 4) e 2% com o T4i (Figura 5).
Na Tabela 1 é possível observar que independente da má oclusão, os aparelhos do Sistema
Trainer apresentaram resposta satisfatória em 70% dos casos, resposta regular em 12,5% e insatisfatória
em 17,5%. Com isso, é possível afirmar com 95% de confiança que não existe diferença
significativa entre o tipo de classificação da oclusão e os resultados obtidos (p> 0,05).

 

 

grafico-03
Gráfico 3 – Distribuição dos aparelhos utilizados (50 unidades).

 

figura-01

Figura 3 – Aparelho Hard2 (fase 2).

 

figura_05
Figura 4 – Aparelho i-3.

 

 

 

Figura 5 – Aparelho T4I.

 

 

tabela_01
Tabela 1 – Distribuição da classificação da oclusão segundo resultado obtido.

Discussão
Existe uma demanda crescente por tratamento ortodôntico devido à grande prevalência de más
oclusões e ao declínio das cáries9,17. Maciel; Kornis9 (2006) acrescentaram que para tratar os problemas
de má oclusão é necessário a implementação de políticas que observem em que condições
e para quem o tratamento ortodôntico deve ser oferecido, dadas as limitações financeiras e de
recursos humanos. Outro dado bastante relevante foi visto na pesquisa de Grando et al.4 (2008),
o qual realizou uma pesquisa com 926 crianças para analisar a prevalência de má oclusão entre
crianças de 8 a 12 anos que frequentavam cinco escolas públicas em Goiás (Brasil). Das 926 crianças
estudadas, 819 apresentaram má oclusão, das quais 513 era má oclusão de Classe I, 201 Classe
II e 105 de Classe III.
Pinheiro; Souza13 (2007) e Silva et al.18 (2005) concordam que os hábitos miofuncionais, como
sucção digital, uso de chupetas, interposição lingual e respiração mista, podem ser causadores de
problemas craniofaciais, especialmente a mordida aberta e a mordida cruzada, passíveis de tratamento
na fase de dentição mista. Neste estudo, pôde-se observar que as distribuições, de acordo com as más oclusões constatadas, foram de 45% Classe I, 42,5% Classe II e 12,5% Classe III, o que é equivalente a amostra
encontrada por Biázio1 (2005) em uma pesquisa sobre a prevalência de má oclusão na dentição decídua
e mista no distrito de Entre Rios, na cidade de Guarapuava, no Paraná, pois nela foi observada
que a Classe I apresentou índice de 67,5% dos casos, seguida pela Classe II com 29,8% e depois
pela Classe III com 2,7%.
Pinheiro; Souza13 (2007), realizando pesquisa em escolares de Jequié, na Bahia, obtiveram uma
prevalência de 30,7% de más oclusões. Desse percentual, todos os pesquisados eram portadores de
hábitos deletérios, especificamente 15,9% apresentaram mordida aberta anterior e 0,4% mordida
aberta posterior. Já em relação a nossa pesquisa, nota-se que 57,5% das crianças que usaram
o Sistema Trainer apresentaram associação com mordida aberta anterior, 32,5% com mordidas
cruzadas e 10% apresentaram associação a outros problemas.
O Sistema Trainer é um grupo de aparelhos ortodônticos funcionais16,18. Ramirez-Yañez; Louzada16
(2009) acrescentam que esse grupo de aparelhos pode ser usado de acordo com a idade
e com o tipo de deformidade facial que o paciente apresentar. Apesar da idade referenciada para
atendimento ortodôntico no Centro de Especialidades odontológicas da ASCES ser de três a dez
anos, foi encontrado crianças de faixa etária entre 5 e 10 anos nos 40 prontuários avaliados.
Em pesquisa realizada por Oliveira; Nouer11 (2004), foram avaliados três pacientes com más
oclusões distintas que foram acompanhados durante um ano usando o aparelho T4k do Sistema
Trainer; como resposta, tiveram redução da medida Co-A, fechamento do ângulo interincisal,
aumento da medida Ena-Me e a grandeza Co-Go incrementada. Em outra pesquisa com o
mesmo aparelho (T4K), realizada por Gonçalves et al.3 (2011), dois pacientes foram avaliados com
má oclusão de Classe I; em um paciente, a má oclusão estava associada à mordida profunda
e no outro à mordida aberta anterior. Como os resultados foram satisfatórios no tratamento dos
dois pacientes, pode-se constatar que um único aparelho (T4K) é capaz de proporcionar resultados
satisfatórios no tratamento de dois tipos de má oclusão vertical.
Silva et al.18 (2005) realizaram o relato do caso de uma paciente de oito anos de idade com diagnóstico
de respiração oral e má oclusão dental. Para o tratamento, foram utilizados o aparelho
pré-ortodôntico e a terapia miofuncional. Os resultados encontrados mostraram que houve modificação
nas estruturas e nas funções avaliadas como posicionamento de lábios e língua, funções
de deglutição, respiração, articulação e oclusão dental. Concluíram que o tratamento com Trainer
pré-ortodôntico associado à terapia miofuncional foi efetivo para a melhora da paciente. Uysal
et al.20 (2011) realizaram uma pesquisa com 20 crianças de Classe II divisão 1 e com deficiência
de lábio, as quais usaram o aparelho Trainer, analisando músculos temporal, orbicular da boca e
o masseter. Concluiu-se que o uso do aparelho mostrou influencia positiva sobre a musculatura
peribucal.
Usumez et al.19 (2004), avaliaram 20 crianças com idade entre nove e doze anos, portadoras de
má oclusão de Classe II primeira divisão, tratadas com aparelho T4k em uma fase pré-ortodôntica
durante um período de oito meses. Concluíram que ouve redução significativa de overjet e que a
utilização do Sistema Trainer induz a modificações dentoalveolares, assim sendo, uma terapia válida.
Ramirez-Yañez et al.17 (2007) concordam que o aparelho T4K é uma terapia válida, porém acrescenta
que deve ser usado em crianças de idade precoce. Com base nos resultados do presente estudo,
observa-se que os aparelhos componentes do Sistema Trainer, estudados e utilizados no Centro
de Especialidades Odontológicas da ASCES, apresentaram uma resposta satisfatória e efetiva em
boa parte dos casos tratados; nos casos em que enquadraram-se como insatisfatório, deu-se pelo
uso inadequado dos dispositivos. Resultado semelhante foi relatado por Oliveira Jr. et al.12 (2005)
em sua pesquisa ao concluir que de todos os fatores que limitam o bom resultado com uso dos
aparelhos móveis, a baixa cooperação por parte dos pacientes foi a mais importante.
Pinheiro; Souza13 (2007) acreditam que a realização de tratamento ortodôntico no setor público
de saúde no Brasil ainda é pouco propagado e, associado a isto, a ausência de recursos financeiros
e o custo que demanda um tratamento dessa natureza afastam ainda mais a população do mesmo.

Em contrapartida, recentemente o Ministério da Saúde publicou a portaria Nº 718/ SAS de 20
de dezembro de 2010, na qual estabeleceu, para a especialidade da Ortodontia e Ortopedia, a inclusão
de procedimentos para os Centros de Especialidades Odontológicas (CEO) e para os Centros
de Tratamento da Má Formação Labiopalatal4, bem como definiu recursos para proporcionar à
população assistida pela rede melhor cobertura de atendimento.
Conclusão
A partir dos prontuários avaliados, pode ser concluído que os aparelhos do Sistema Trainer
que foram analisados apresentaram um elevado índice de respostas satisfatórias e corrigiram a
maior parte das más oclusões em questão.

 

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